quinta-feira, 24 de novembro de 2011

HOMEM (II)

Tu sabes, homem, és feio!
Sempre foste, fruto verde ou maduro.
Eras feio quando nasceste,
Serás muito mais ainda em teu futuro,
e após da dor de tua morte.

(Mesmo que tudo isto pouco te importe
pois serás, por uma vez mais,
um a mais entre os teus semelhantes.)

Com olhos desajustados
e essa tua cara tão desalinhada,
um coração rancoroso,
envolto na dura pedreira que
não será dinamitada.

Feio foi o fatal fruto de tua semente:
medo e desespero de
bebês horríveis que choram sem dentes.
Pois teu amor não se embeleza, 
não haverá musa linda o suficiente.

E este será teu legado:
Esses olhos, mais que tristes, amargos;
a gastrite doendo-te a alma;
um fungo voraz comendo tua unha;
em teu nome a vil alcunha
de errante, louco perdido a vagar;

o instinto de se destruir
e quando não conseguir, se matar.




quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Inutilidades

Inútil é essa vida em prosa
Em que nem mesmo a rosa
tem significado algum.

Inútil é ser mais um
comprador e vendedor
de carne, droga e amor,
de armas, arroz e feijão,
sorrisos, apertos de mão
e aparelhos de celular.

É tão inútil garimpar
no coração do poeta
aquela palavra certa
feita de sangue e mar

É inútil essa ferida
latejante em meu calcanhar
doendo em minha vida.

É um céu de tão azul
ficar vermelho no fim da tarde.
É o olho de Christine
tão branco, cheio de sal.

Inútil é toda a letargia
de um mundo sem poesia.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

SESTA

No momento depois da ceia,
por mais que evite,
tentando gostar do sofá,
dói-me a gastrite.

Recolho, então, minhas armas
antes em riste,
pois dói-me mais aquela briga.
(puro palpite...)

Na céu da boca, o refluxo:
o suco gástrico,
resquício e dessabor do almoço:
rançoso, ácido.