quinta-feira, 27 de setembro de 2012

E o vento não levou...

Scarlett caminha vazia
pelo lixão da Muribeca,
sem isso a fome é tão certa
quanto o sol nasce no outro dia.

Ter um nome de Hollywood
não lhe poupou das pernas tortas,
nem dos urubus que à miúde
retornam ao alto de sua porta.

Incomoda uma dor no peito,
mas importa mais sua barriga.

No seu rosto, o olho já seco,
drenado pela própria vida,
não carrega choro, nem lume,
somente chorume.


9 comentários:

Arnoldo Pimentel disse...

Uma triste realidade num país que se diz desenvolvido.Parabéns.

Arnoldo Pimentel disse...

Isso é nosso Brasil dos contrastes.

Unknown disse...

Um poema de lixo para um país em degradação!

Belo poema!!!!

Lucielle Wiermann disse...

forte realidade de quem tem a periferia do mundo no centro da poética.

gostei ...

Nicast disse...

Que luxo de poema, cara!

Daniel Andrade disse...

pesado

Luiz Filho de Oliveira disse...

O que o vento não leva, certamente, é essa poesia enraizada de mundos que vc produz, Lucas. Meus cumprimentos pela classificação no #TOC 140, poeta.

Anônimo disse...

Isso é a Avenida Brasil!

Lucas Holanda disse...

Qr dizer q o lixão da novela é na Muribeca?