Mesmo com toda essa luz
azul e branca
do céu de um Recife escarlate,
há um cinza,
naquela nuvem lá,
que me persegue.
sexta-feira, 16 de março de 2012
quinta-feira, 8 de março de 2012
PSICOPOETA
Não mimo o verso, sou poetassassino.
Degolo o que parece alexandrino.
Amputo o soneto, mato em haicai,
torturo o verso-livre mais e mais;
as penas que tive, as dissemino
e espero que tenhas todas iguais.
Que é para ver se teu sangue me lava,
levando essa dor em tripa e palavra.
Degolo o que parece alexandrino.
Amputo o soneto, mato em haicai,
torturo o verso-livre mais e mais;
as penas que tive, as dissemino
e espero que tenhas todas iguais.
Que é para ver se teu sangue me lava,
levando essa dor em tripa e palavra.
terça-feira, 6 de março de 2012
Quatro sonetos-amputados de deserto e ódio.
I
Caminho neste deserto de abril,
arrasto meu cadáver branco-anil.
O sol torra minha cara imbecil,
há sangue seco em meu nariz quebrado
e ressentimento em meu olho vidrado.
Nas areias, vejo o enésimo cantil,
- Talvez nele haja um gênio ou um anjo alado...
Não. Tal qual meu corpo está vazio.
II
Carrego meu peso morto nas costas...
Na duna, escorrego pela encosta.
Caímos ombro a ombro e nos encaramos,
olho a bocaberta com que falei...
já não importa ter sido poeta ou rei...
Minha pele mais parece um pano,
Acaricio a face com desengano:
não posso mais retroceder, eu sei!
III
Resta seguir até um oásis qualquer...
E vago incrédulo, como São Tomé...
Busco água, não para matar a sede,
pois ela já me matou sem piedade,
nem se importou com minha pouca idade.
Busco água e um rio com pradaria verde,
Onde possa recordar, me vingar.
Lá, me dissolver e o contaminar.
IV
E, assim, quando me tornar diarreia,
serei mais que da vingança uma ideia.
E matarei talvez todos teus filhos,
contaminarei plantações de milho,
nesta minha tão impiedosa reestreia.
E, no desfecho de minha sombria ópera,
todos sentirão sem mover um cílio
a dor mais terrível de minha cólera.
Caminho neste deserto de abril,
arrasto meu cadáver branco-anil.
O sol torra minha cara imbecil,
há sangue seco em meu nariz quebrado
e ressentimento em meu olho vidrado.
Nas areias, vejo o enésimo cantil,
- Talvez nele haja um gênio ou um anjo alado...
Não. Tal qual meu corpo está vazio.
II
Carrego meu peso morto nas costas...
Na duna, escorrego pela encosta.
Caímos ombro a ombro e nos encaramos,
olho a bocaberta com que falei...
já não importa ter sido poeta ou rei...
Minha pele mais parece um pano,
Acaricio a face com desengano:
não posso mais retroceder, eu sei!
III
Resta seguir até um oásis qualquer...
E vago incrédulo, como São Tomé...
Busco água, não para matar a sede,
pois ela já me matou sem piedade,
nem se importou com minha pouca idade.
Busco água e um rio com pradaria verde,
Onde possa recordar, me vingar.
Lá, me dissolver e o contaminar.
IV
E, assim, quando me tornar diarreia,
serei mais que da vingança uma ideia.
E matarei talvez todos teus filhos,
contaminarei plantações de milho,
nesta minha tão impiedosa reestreia.
E, no desfecho de minha sombria ópera,
todos sentirão sem mover um cílio
a dor mais terrível de minha cólera.
sábado, 3 de março de 2012
Assinar:
Postagens (Atom)

