Não me gasto com o gosto dos gatos,
Nem com seus gestos inatos:
pois há gato que gosta de gata
E gato que gosta de gato.
em seu mais felino trato:
se agatanhem nos muros altos:
miando, gemendo em seus atos.
Só o gatuno é que constata:
vigia o movimento no mato,
no teto, vê os afetos e tatos
e, podendo – os rouba, os mata.
A gata se preocupa com o fato,
defende-se com unhas de prata:
pois há gata que gosta de gato
e gata que gosta de gata.
6 comentários:
Lucas...
Bravo seria pouco dizer.
Muito bom!
Pela dedicatória e pelo conteúdo "cifrado", entendi tudo maravilhosamete claro. Esse pastorzinho é um daqueles que se-acham "filho do "todo-poderoso" e quer crucificar as minorias. Nossa, Lucas, além de muito melódico, o poema está fabularmente elegante. Meus cumprimentos, camarada.
Pô, apesar de dupla penetração de sentido, foi sem querer o MARAVILHOSAMETE. Minto: é MENTE.
Muito bom. Parabéns.
Um abraço.
Tá parecendo a poesia Simbolista de Cruz e Souza.
http://apoesiaestamorrendo.blogspot.com.br/
Bichanos
Não por desgosto gosto de gatos
Isso posto, estes gostam de gatas
Bichanos castos em gestos e fatos
Que ronronam e lambem as patas
Se fazem gosto, lhes somos gratos
Porquanto não são criaturas chatas
Higienizam-se, fazem cocô no mato
E de bom humor se fazem cordatas
Por esses felinos não me desgasto
Quando não os quero, mostro na lata
De imediato me ausento, me afasto
De pronto bicho compreende, acata
Entende que este é um mundo vasto
Enquanto nenhuma rejeição o mata.
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