segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Sobre gatos e gatas

                                    
Não me gasto com o gosto dos gatos,
Nem com seus gestos inatos:
pois há gato que gosta de gata
E gato que gosta de gato.

Que se desgastem gatas e gatos
em seu mais felino trato:
se agatanhem nos muros altos:
miando, gemendo em seus atos.

Só o gatuno é que constata:
vigia o movimento no mato,
no teto, vê os afetos e tatos
e, podendo – os rouba, os mata.

A gata se preocupa com o fato,
defende-se com unhas de prata:
pois há gata que gosta de gato
e gata que gosta de gata.

6 comentários:

Lucielle Wiermann disse...

Lucas...

Bravo seria pouco dizer.
Muito bom!

Luiz Filho de Oliveira disse...

Pela dedicatória e pelo conteúdo "cifrado", entendi tudo maravilhosamete claro. Esse pastorzinho é um daqueles que se-acham "filho do "todo-poderoso" e quer crucificar as minorias. Nossa, Lucas, além de muito melódico, o poema está fabularmente elegante. Meus cumprimentos, camarada.

Luiz Filho de Oliveira disse...

Pô, apesar de dupla penetração de sentido, foi sem querer o MARAVILHOSAMETE. Minto: é MENTE.

Elisa T. Campos disse...

Muito bom. Parabéns.
Um abraço.

Fábio Murilo disse...

Tá parecendo a poesia Simbolista de Cruz e Souza.

http://apoesiaestamorrendo.blogspot.com.br/

JAIRCLOPES disse...

Bichanos

Não por desgosto gosto de gatos
Isso posto, estes gostam de gatas
Bichanos castos em gestos e fatos
Que ronronam e lambem as patas

Se fazem gosto, lhes somos gratos
Porquanto não são criaturas chatas
Higienizam-se, fazem cocô no mato
E de bom humor se fazem cordatas

Por esses felinos não me desgasto
Quando não os quero, mostro na lata
De imediato me ausento, me afasto

De pronto bicho compreende, acata
Entende que este é um mundo vasto
Enquanto nenhuma rejeição o mata.