Enquanto ela dançava no palco
No meio exato do espetáculo
Tropeçou, deslizando em falso
E intentando um simulacro
Agarrou na velha cortina
Que se rasgou de cima a baixo
tombando de bunda pra cima
E tamanho foi seu fracasso
Tanta vergonha a bailarina
Sentia em seu rosto corado
Que chorava como menina
E lamentava a triste sina,
Em meio a um pranto inacabado,
De sozinha ter resvalado
E sua cara toda manchada
Num único borrão no talco
Vista pela gente calada
Destoava, meio ao terceiro ato
Como se houvera de fato
Perdido uma pessoa amada
Levantou-se então sozinha
Ajeitou o seu tule de seda
Enxugou a sua triste carinha
E olhando toda a gente azeda
Quando fugia para a coxia
Caiu, de novo, como uma bêbada
2 comentários:
Imagético pra caramba! Bem detalhista.
Derradeira bailarina!
Muito bom.
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