sábado, 8 de outubro de 2011

Balé

Enquanto ela dançava no palco
No meio exato do espetáculo
Tropeçou, deslizando em falso
E intentando um simulacro
Agarrou na velha cortina
Que se rasgou de cima a baixo
tombando de bunda pra cima

E tamanho foi seu fracasso
Tanta vergonha a bailarina
Sentia em seu rosto corado
Que chorava como menina
E lamentava a triste sina,
Em meio a um pranto inacabado,
De sozinha ter resvalado

E sua cara toda manchada
Num único borrão no talco
Vista pela gente calada
Destoava, meio ao terceiro ato
Como se houvera de fato
Perdido uma pessoa amada

Levantou-se então sozinha
Ajeitou o seu tule de seda
Enxugou a sua triste carinha
E olhando toda a gente azeda
Quando fugia para a coxia
Caiu, de novo, como uma bêbada

2 comentários:

Fred Caju disse...

Imagético pra caramba! Bem detalhista.

Jéssica do Vale disse...

Derradeira bailarina!
Muito bom.