Visto amarelo porque varro as estrelas
e não importa a cor de meu dia,
já que as galáxias não se preocupam conosco.
Perderemos tudo de novo
por mil e quinhentas vezes
até o fim de nossas vidas:
pois o futuro é só uma piada
que lastima a nossa pele
e ofusca a vista mais cansada.
Visto amarelo porque ele é como o verde
despido da falsidade do azul,
essa cor tão chumbometálica,
vulgar e melancólica
que nos trazem os fins de tardes.
Amarela é a folha que caída
ainda parece ter vida.

6 comentários:
Belíssimo poema, uma melancolia doce e irascível ao mesmo tempo.
Beijo.
Lucas, meu caro amigo, que coisa bonita!
Digno de Neruda, prezado colega!Digno de Neruda!
Muita paz!
Gostei daqui.
Flores.
tá virado na porra esse poeta, que poema massa do baralho
bem lembrado Marcell, digno de um Neruda
senti em amarelo, ao ler.
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