no google,
busquei o conceito epistemológico
do existir.
muitos disseram
tanto faz, não importa...
outros,
é o ser:
é cagar,
é cuspir!
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
sábado, 8 de outubro de 2011
Balé
Enquanto ela dançava no palco
No meio exato do espetáculo
Tropeçou, deslizando em falso
E intentando um simulacro
Agarrou na velha cortina
Que se rasgou de cima a baixo
tombando de bunda pra cima
E tamanho foi seu fracasso
Tanta vergonha a bailarina
Sentia em seu rosto corado
Que chorava como menina
E lamentava a triste sina,
Em meio a um pranto inacabado,
De sozinha ter resvalado
E sua cara toda manchada
Num único borrão no talco
Vista pela gente calada
Destoava, meio ao terceiro ato
Como se houvera de fato
Perdido uma pessoa amada
Levantou-se então sozinha
Ajeitou o seu tule de seda
Enxugou a sua triste carinha
E olhando toda a gente azeda
Quando fugia para a coxia
Caiu, de novo, como uma bêbada
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
POETA
De fogo, gente e sentimento
Disto é feito meu movimento
segunda-feira, 26 de setembro de 2011
JUVENTUDE
Nenhum poeta na minha idade
Será reconhecido
Enquanto anda pela cidade
Nenhum poeta na minha idade
Será bastante lido
Por ter poesia de qualidade
Nenhum poeta na minha idade
Será muito querido
Pois não será uma assumidade
Porque na minha idade
Um poeta é mais um vagabundo
Cheio de muita vaidade
Porque na minha idade
Um homem constrói o próprio mundo
Vivendo a realidade
Porque, é a pura verdade,
Ninguém se importa o quão profundo
a minha dor se acabe
terça-feira, 20 de setembro de 2011
POSSESSÃO
Quem se diz
possuidor do outro
possui dor do outro.
domingo, 18 de setembro de 2011
OS OLHOS DO CÃO
No meio do caminho, vi uma cena mórbida
Olhei os olhos de um cão, fora de sua órbita
Ele fora esmagado por uma carreta
Com todas suas dezesseis rodas largas
que passaram por cima da cabeça
Por obra do acaso, um olho inteiro
Fitava os meus com sua pesada carga
E reprimia meu olhar de carniceiro
sábado, 17 de setembro de 2011
HOMEM
Para provar que a verdade
era sua testemunha
trazia uma identidade
e o registro de nascimento
indicando um povoado
lá perto de Riacho das Almas,
onde o espírito de sua mãe
descansava, havia quarenta anos.
Para provar que o facão
retalhou-lhe a juventude
trazia as mãos muito grossas,
os dedos também bem largos,
embaixo dos documentos,
pelos tantos anos passados
em São Lourenço da Mata
por causa do corte da cana.
Para provar a fome
não chorava – falava lento –
e pelo hábito da profissão
também cortava as palavras.
A filha tão moça mataram.
Deixara um neto pequeno,
que precisava comer.
E ele agora já velho e analfabeto,
no Recife, não tinha emprego.
Busquei por alguma moeda,
Não tinha nenhuma comigo.
Mas ele nem me olhou.
Ignorou meu burguês camarote
de estudante universitário
pagando meia-passagem.
Logo eu, que por tantas vezes,
dei trocados só para me livrar
dos olhos do pedinte.
domingo, 11 de setembro de 2011
MAIS VALIA
Trabalha e trabalha
Não pode parar!
Porém a mão falha
Por não aguentar
O fio da navalha
Que desce a cortar
O alto da palha
Da cana a voar
O facão que talha
As hastes no ar
Também espalha
O sangue a jorrar
Nos dedos, uma malha
Tentando estancar
E o olho esbugalha:É a morte a chegar!
quarta-feira, 7 de setembro de 2011
CONJUNTIVITE
Hoje meus olhos amanheceram pregados
Remelados excessivamente
Como que por concreto armado
Tapara-se a porta da frente
domingo, 4 de setembro de 2011
Alzheimer
Quando os longos anos tingirem de branco
os cabelos, que por hora tenho tantos,
começarei a esquecer meu endereço,
os aniversários e estações do ano
e a meu filho direi: "Não te conheço!"
Por fim, todos sonhos não realizados
e todo abandono de ser humano.
Restará só meu riso emoldurado!
os cabelos, que por hora tenho tantos,
começarei a esquecer meu endereço,
os aniversários e estações do ano
e a meu filho direi: "Não te conheço!"
Por fim, todos sonhos não realizados
e todo abandono de ser humano.
Restará só meu riso emoldurado!
quarta-feira, 31 de agosto de 2011
ÍCARO
O elevador parou no décimo quarto andar.
Para não perder a viagem,
Decidiu subir mais um lance de escadas.
Décimo quinto andar:
O olho se enche de uma lágrima grossa, rançosa, ressentida,
amarga da curta vida.
Preparando para ser fixador da fotografia
do enorme campus a ser gravada na retina.
A vista mais distante pede para não ser parte do cenário.
(Talvez não seja tão feio morrer com um ipê-amarelo nos olhos).
O nó na garganta se trava
O parapeito é que é muito alto
Para qualquer último salto
E não lhe resta mais palavra
Talvez reze,
Talvez peça que não seja pecado o seu ato
Talvez respire assim tão fundo
Que todo oxigênio do mundo
Não caiba dentro do pulmão
Talvez pense:
Aqui se acaba a solidão!
Abre as asas previamente derretidas pelo sol, pelos risos,
Pelas penas a serem defenestradas
As penas se espalham
São negras, azuis e amarelas
tingidas com a anilina mais barata,
dessas que se desbotam na chuva
(Como as de quem não primou por um acabamento perfeito)
A cera goteja
E assim se esparrama no chão
Cobrindo todo seu corpo
Como casulo de abelha
E é vermelha
tão vermelha
que tem cor de telha
Aquela cera
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Crônica
Enquanto o destino tenta pôr-nos a prova
Em resposta a tantas vidas feitas em prosa
Releio aqueles meus remendados versos
Eu apago, reescrevo e escanciono
Escolhendo as rimas nos tempos certos
Então, como cronista de meu dia
Relato a vida: gozo e abandono
Em toda sua infinita poesia
quinta-feira, 25 de agosto de 2011
SIMPLICIDADE COMPLEXA
Tudo do mundo em um verso:
UNIVERSO
UNIVERSO
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Estômago
para Christine
Quando se está com sobrepeso
E golfa-se em um bocejo
O gordo sente-se um Obeso!
Quando se está com sobrepeso
E golfa-se em um bocejo
O gordo sente-se um Obeso!
sábado, 20 de agosto de 2011
DEVIR
Quando eu for pouco menos que uma lembrança
E pouco mais que o sustento de uma planta
Esperarei brotarem em botões
Os dias que estavam já enraizados
Nas negras paredes de meus pulmões
E assim cumprirei a sina de ser gente
Guardado no chão duro argiloso
Plantado lá, como uma semente
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