sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Quando não falam os anjos.

Vamos lá, sobe, decola soneto
como uma poesia augusta, angélica e caída.
Distingue-te de uma batráquia vida,
dispensando o coaxar d'outro poemeto.

Lembra aquele momento purulento
ao abrir-te a própria e tão branca barriga,
restou só a cicatriz, onde houve a ferida,
mas lateja ainda no áspero cimento.

Decola, na tua asa dolorosíssima,
a enganar-se na esperança mais íntima
dada ao teu ensanguentado coração.

Pode ir. Em, tua dor, respira a verdade
sobre essa mentira da humanidade
que se mata no mesmo mundo cão.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Deus ex machina

Cansei de me perguntar!
A vida é só a vida,
morrer é não estar lá!

...

Estás louco,
já sabes!
Nada mais natural
a esta altura da vida.

Já perdeste o bom senso
e teu senso de direção,
já desvias das linhas retas
e avanças por contramão

Já sabes que enlouquecer
não foi um processo rápido,
mas igual ao que haviam dito:
mais penso, menos capto.

Tu, louco de pedra,
nu, poeta demente,
profeta do apocalipse,
risca o copioso fósforo
ao querosene em tua cabeça.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

DARWIN

Por um descuido
esmago um sapo.
Em minha mente
fica seu retrato.
Ficam suas tripas
em meu sapato.
Enquanto limpo
o seu substrato,
firmamos um
só mudo pacto:
adapte-se.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Dia Claro


A fogueira na pista
atrapalhou-me a brisa,
impediu minha vista
do verde vivo da árvore.


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Poema Mortal

Há o poeta que escolhe viver
a beleza do esquecimento
na sina de se dissolver
na frágil corrente de vento

ou na terra que há de comer
seu fígado, olhos e dedos
ou na traça que vai corroer
os seus pensamentos e versos

que farão com simplicidade
o que já fizeram a tantos
com o correr veloz da idade
calarão seus mais belos cantos

Para tornar-se só um a mais
destes tantos outros não lidos,
mas não em desgastados jornais,
será só Kbytes perdidos.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

dois poeminhas

Insônia

tentei dormir,
mas há dias,
que não se deve
lutar contra a poesia.


Dispersão

pensei ser o toque do celular,
mas era só a realidade chamando...

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Da batalha

Não! Nós não estamos seguros!
Não agora, nem no futuro,
nunca chegará a hora de descansar.
Não vacile!
Relembre Aquiles e seu calcanhar.
Esteja mais que acordado,
mantenha os poros blindados.

domingo, 8 de janeiro de 2012

Da solidão

Um bote à deriva
na amplidão do mar,
e aquela sensação
claustrofóbica
tão cheia de si mesmo.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Da gandheza da alma

(a Mahatma Ghandi)
Inquieto caminha o coração,
dói o homem preso a coletividade:
solidão não é infelicidade,
mansidão não é passividade.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

JONAS

Motivado por uma infinita tristeza,
Jonas deixou sua casa numa segunda-feira
e preferiu viver no peixe
ao ter que voltar para lá.

Catou uns trocados pro ônibus,
lembrou que precisava de mais,
pois não tinha integração pro metrô,
e caminhou quinze minutos
até a parada mais próxima.

Comprou um cigarro, fumou demoradamente...
Mentiu seu destino a um amigo que lhe cumprimentava.
Escarrou, cuspiu e secou o pulmão de tudo,
esvaziando também a cabeça de pensamentos.

Passou a preferir demoradamente sua casa
e assim se dirigiu ao peixe
como quem já houvera tomado
muitas decisões para a vida inteira
e de todas elas se arrependido.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Primeiro Post do Ano

Pela primeira vez me dirijo diretamente ao meu público, todos vcs 22 que seguem o blog e quaisquer outros que também acompanhem ou simplesmente caiam aqui de paraquedas. Agradeço seus comentários ou olhadelas singulares feitas no 2011. Espero que tenham todos um bom ano. Felicidades!
Para dividir o espaço com este meu tão sinceramente breve voto, quase um torpedo de celular, ponho aqui um poema curtinho:

PERMANEÇO

atado,
atento e tentado
a um atentado.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

...

E decidi:
não é louco o meu coração.
Insano é ser humano
enquanto o mundo é cão.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

TAO

Queria poder entender
o sentimento do universo
e permitir que as coisas morram
para que virem bom adubo
e nutram as entranhas do solo
para alimentarem os jambeiros e mangueiras
mais doces, a cada dia.
Porque não há, nem haverá
fruta melhor que a vendida
nos portões do cemitério da Várzea.