I
Caminho neste deserto de abril,
arrasto meu cadáver branco-anil.
O sol torra minha cara imbecil,
há sangue seco em meu nariz quebrado
e ressentimento em meu olho vidrado.
Nas areias, vejo o enésimo cantil,
- Talvez nele haja um gênio ou um anjo alado...
Não. Tal qual meu corpo está vazio.
II
Carrego meu peso morto nas costas...
Na duna, escorrego pela encosta.
Caímos ombro a ombro e nos encaramos,
olho a bocaberta com que falei...
já não importa ter sido poeta ou rei...
Minha pele mais parece um pano,
Acaricio a face com desengano:
não posso mais retroceder, eu sei!
III
Resta seguir até um oásis qualquer...
E vago incrédulo, como São Tomé...
Busco água, não para matar a sede,
pois ela já me matou sem piedade,
nem se importou com minha pouca idade.
Busco água e um rio com pradaria verde,
Onde possa recordar, me vingar.
Lá, me dissolver e o contaminar.
IV
E, assim, quando me tornar diarreia,
serei mais que da vingança uma ideia.
E matarei talvez todos teus filhos,
contaminarei plantações de milho,
nesta minha tão impiedosa reestreia.
E, no desfecho de minha sombria ópera,
todos sentirão sem mover um cílio
a dor mais terrível de minha cólera.
terça-feira, 6 de março de 2012
sábado, 3 de março de 2012
domingo, 26 de fevereiro de 2012
Nem sempre infeliz loucura
Levava um sonho alado
e um sombreiro enorme
feito de espuma de colchão,
onde do alto se viam uns sinais,
alguns círculos concêntricos
para se o talvez do acaso viesse
buscando-o para outro lugar
de espaço-naves ou discos-voadores,
o levassem e o reconhecessem como amigo
também habitante das estrelas.
Corria em meio a avenida
num ruflar de asas-depenadas
como um carcará desalado.
Desolado corria como se fosse
para tentar um novo impulso
e de súbito subir, decolar...
E, talvez, com seus pés de Hermes,
seus sonhos compensassem seus vermes.
e um sombreiro enorme
feito de espuma de colchão,
onde do alto se viam uns sinais,
alguns círculos concêntricos
para se o talvez do acaso viesse
buscando-o para outro lugar
de espaço-naves ou discos-voadores,
o levassem e o reconhecessem como amigo
também habitante das estrelas.
Corria em meio a avenida
num ruflar de asas-depenadas
como um carcará desalado.
Desolado corria como se fosse
para tentar um novo impulso
e de súbito subir, decolar...
E, talvez, com seus pés de Hermes,
seus sonhos compensassem seus vermes.
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Reescrevendo e PALAVRANDO
PALAVRANDO
Cada pá lavra seu campo
a minha, uma folha em branco.
Se mente do fruto ou da flor
colhida na intensidade da cor
forjando seu cheiro doce
não é como se a culpa fosse
desta borracha-durafoice
a talhar as hastes dos sentimentos
e a espalhar seus restos e sedimentos
no chão do inconsciente.
Tão pouco é culpa da chuva
e seu gotejar inconsequente
que não permite que feijão ou uva
brote, ecloda de sua semente.
Culpada é a própria pá
que não lavrou
o campo certo
e este mau-agricultor
que se descuidou
deixando a semente exposta,
fraturada a céu aberto.
Cada pá lavra seu campo
a minha, uma folha em branco.
Se mente do fruto ou da flor
colhida na intensidade da cor
forjando seu cheiro doce
não é como se a culpa fosse
desta borracha-durafoice
a talhar as hastes dos sentimentos
e a espalhar seus restos e sedimentos
no chão do inconsciente.
Tão pouco é culpa da chuva
e seu gotejar inconsequente
que não permite que feijão ou uva
brote, ecloda de sua semente.
Culpada é a própria pá
que não lavrou
o campo certo
e este mau-agricultor
que se descuidou
deixando a semente exposta,fraturada a céu aberto.
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
Palavrando
Cada pá lavra em seu campo,
a minha, em uma folha em branco.
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Finitude.
Deixo a água me molhar,
arrasta-me sua correnteza
e, lá no fundo, tenho a certeza
de que eu não sou o mar.
domingo, 5 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
Quando não falam os anjos.
Vamos lá, sobe, decola soneto
como uma poesia augusta, angélica e caída.
Distingue-te de uma batráquia vida,
dispensando o coaxar d'outro poemeto.
Lembra aquele momento purulento
ao abrir-te a própria e tão branca barriga,
restou só a cicatriz, onde houve a ferida,
mas lateja ainda no áspero cimento.
Decola, na tua asa dolorosíssima,
a enganar-se na esperança mais íntima
dada ao teu ensanguentado coração.
Pode ir. Em, tua dor, respira a verdade
sobre essa mentira da humanidade
que se mata no mesmo mundo cão.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Deus ex machina
Cansei de me perguntar!
A vida é só a vida,
morrer é não estar lá!
A vida é só a vida,
morrer é não estar lá!
...
Estás louco,
já sabes!
Nada mais natural
a esta altura da vida.
Já perdeste o bom senso
e teu senso de direção,
já desvias das linhas retas
e avanças por contramão
Já sabes que enlouquecer
não foi um processo rápido,
mas igual ao que haviam dito:
mais penso, menos capto.
Tu, louco de pedra,
nu, poeta demente,
profeta do apocalipse,
risca o copioso fósforo
ao querosene em tua cabeça.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
DARWIN
Por um descuido
esmago um sapo.
Em minha mente
fica seu retrato.
Ficam suas tripas
em meu sapato.
Enquanto limpo
o seu substrato,
firmamos um
só mudo pacto:
adapte-se.
domingo, 22 de janeiro de 2012
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Poema Mortal
Há o poeta que escolhe viver
a beleza do esquecimento
na sina de se dissolver
na frágil corrente de vento
ou na terra que há de comer
seu fígado, olhos e dedos
ou na traça que vai corroer
os seus pensamentos e versos
que farão com simplicidade
o que já fizeram a tantos
com o correr veloz da idade
calarão seus mais belos cantos
Para tornar-se só um a mais
destes tantos outros não lidos,
mas não em desgastados jornais,
será só Kbytes perdidos.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
dois poeminhas
Insônia
tentei dormir,
mas há dias,
que não se deve
lutar contra a poesia.
Dispersão
pensei ser o toque do celular,
mas era só a realidade chamando...
tentei dormir,
mas há dias,
que não se deve
lutar contra a poesia.
Dispersão
pensei ser o toque do celular,
mas era só a realidade chamando...
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